Artur Arede Desporto Opinião

A propósito do desaparecimento de um enorme vulto

Por vezes dou comigo a fazer introspecção e hoje, a propósito do desaparecimento de um enorme vulto do mundo do futebol, Diego Maradona, parei um pouco para reflectir sobre as vidas loucas, seguidas pelas grandes figuras do mundo artístico e especialmente do futebol.
Por estranho que pareça, nunca tive “ídolos” incondicionais!
Mesmo se retroceder ao período da minha adolescência, altura em que nos deslumbramos e estamos mais susceptíveis aos dourados da vida, não me recordo de ter ficado demasiado obcecado, deslumbrado ou embebecido por seguir as “modas” ou o percurso deste ou daquele, apenas com uma raríssima excepção, os Beatles.
Eram as calças “à Beatle”, as botas “à Beatle”, o cabelo à Beatle” e a Beatlemania apanhou-me assim, exageradamente, durante uns 3 ou 4 anos. Tal como começou assim foi passando. Hoje, restam-me os discos (toda a obra) mais os CD’s mais os filmes e de ídolos, fiquei vacinado. Não quer dizer que não tenha ido assistir a espectáculos, muitos, de variadíssimos artistas do mundo da música que por cá vinham actuar, coisa que ainda hoje faço hoje, Rock in Rio ou outros, sempre que se justifique.
Depois houve outro personagem que me marcou particularmente no mundo do desporto automóvel, o Ayrton de Senna, com quem me viria a cruzar, casualmente, em algumas ocasiões, na Qta do Lago em Almancil e cujos bons dias, assim do nada, sem nos conhecermos eram evidências de alguém com uma formação intelectual muito acima da média, muito especial.
Mas quando falo de futebol, o vazio de ídolos é total.
Aprecio apenas a arte da execução a capacidade exímia da superação de uns poucos, que dá para contar pelos dedos das mãos.
Pelé, Eusébio, Figo, Maradona, Messi e Cristiano Ronaldo, apenas.
Há muitos executantes fantásticos, pois há, mas estes, ao longo da minha vida, se destacaram.
Chegado aqui, volto ao Maradona que foi, incontornavelmente, um tremendo executante da bola, mas foi alguém absolutamente descontrolado na sua razoabilidade de levar a vida, de a desfrutar naquilo que ela tem de fantástica. Entrou, como muitos outros grandes desportistas, na espiral do deslumbramento e foi completamente trespassado, engolido e cilindrado pela luxúria do tudo fácil.
O dinheiro em excesso tem desses inconvenientes para o mundo dos impreparados, dos deslumbrados, dos irracionais, na entrada no mundo do fantástico, do fabuloso, dos coloridos que proporciona.
Foram muitos aqueles que se foram demasiado cedo. Na música, no futebol e no universo dos que vivem demasiado depressa, excessivamente obstinados em viverem intensamente.
Maradona nunca foi uma figura exemplar em termos de vivência pura da vida, aquela que vale a pena experienciar. Os afectos, o amor, o bem estar que nem todo o dinheiro consegue comprar. Nem sequer vou adjectivar (quem sou eu) as suas loucuras as suas excentricidades a sua fraqueza mental. Uma vez mais as drogas subtraíram, anteciparam, mataram, muitos anos que poderia ter desfrutado entre amigos entre aqueles que o admiravam. Foi se matando gradualmente, perdeu-se algures no caminho, como dezenas de outros, centenas de tantas!
Não era o meu ídolo, porque não alimento figuras idílicas, mas admirava-lhe os dotes, muita mais que a inteligência, algo que sendo muito mais que um recurso, nos instiga a sobreviver!

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