Artur Arede Opinião

Uma sociedade cercada de preconceitos

Nem era para escrever sobre o tema, que faz parte do normal em sociedade, numa sociedade normal, nada de mais, alguém, no caso alguém que vive da voz e da sua bela imagem, exibir uma parte do seu corpo na televisão.
Mas lá vai!

Como se sabe, a arte performática (performance) ,utiliza o corpo como objecto artístico e a expressão artística depende de um público para ser executada e nada melhor que um palco, ou que um palco ainda maior, as câmeras de televisão, para a expressão de um artista que é, não nos podemos abstrair, a Áurea.
A sociedade está efectivamente cercada de preconceitos, sabemos isso muito bem, notamos todos os dias.
Este nosso país é de facto um local muito complicado, “sui generis”, talvez um pouco balofo, em que a falta de ocupação de uma parte substancial de pessoas, leva a que se foquem em aspectos absolutamente laterais ao dia a dia de um povo.
Não será por falta de motivos sérios, causas nobres, problemas pessoais de cada um de nós, mas convenhamos que a futilidade das discussões, geram controvérsias exacerbadas por tudo e por nada!
Andam as redes sociais “nervosas” e aceleradas com a questão do decote das mamas da Áurea, como se isso fosse um assunto tão importante, grave, como se não houvesse o Covid para nos ocupar o dia, com empresas a encerrar, pessoas a perderem trabalho e gente a morrer ao nosso lado!
Bem sei que me vão responder que a vida tem de continuar e que não devemos ignorar o que nos faz bem ao espírito, à alma e ao corpo, mas que diabo, era necessário tanta paranóia?
Aconteceu na última gala de domingo do Voice Portugal, em que a Áurea se apresentou com todos os atributos que a vida lhe deu e que resolveu agora mostrar ao mundo,(além de alguns eleitos) aquilo que todos sabemos que existe, (uns mais outros menos), ou seja, as suas belas mamocas.
Pronto, caiu o Carmo e a Trindade, ficou tudo num alvoroço nunca visto, basta ver os tweets e algumas páginas pessoais do Face, para se ficar estarrecido com tamanha loucura colectiva.
Além de uma excelente voz e uma fantástica intérprete, todos ficaram a partir de agora, pelos vistos, obcecados em despir a rapariga, para descobrirem esse outro mundo desconhecido da Áurea.
A mim parece-me que a Áurea sempre as lá teve, no mesmo sítio e a forma era evidente, porquê agora tanto alarido?
Mas está tudo doido, ou o covid tem outros efeitos secundários desconhecidos?

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