A comunicadora da TVI Cristina Ferreira tem estado nas “bocas do povo”, porque o povo anda sensível, exasperado, irritado, já não tem paciência para nada, talvez por culpa do Vladimir ou do Trump ou dos dois. O populismo tomou conta disto tudo, a falta de discernimento deu lugar às reações espontâneas, de preferência a quente, que isto de ponderar já não se usa!
O que foi dito pela Cristina Ferreira:
“Mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que têm de ouvir, mas alguém entende aquele: ‘Não quero mais?'”, foram as exactas palavras de Cristina Ferreira que anda na Berlinda desde segunda dia 20 Abril.
Um entendimento questionado em directo na TV, relativo a um comportamento de grupo, sobre um acontecimento lamentável, repudiável, mas que infelizmente sucede demasiadas vezes, muitas, demasiadas, nem se sabe!
“Naquele momento senti que seria necessário que a psicóloga nos explicasse o que passa na cabeça daqueles jovens quando ouvem um ‘não’. O ‘não é não, ponto. O ‘não’ não existe numa violação”, sublinha.
Apesar de considerar que não se equivocou no uso de certas palavras, Cristina admitiu que “se tivesse escrito ou preparado de outra forma, não seriam aquelas as palavras que usaria”. “Poderia ter escolhido outra formulação de pergunta. Estamos num espaço de directo…”, justificou. “Eu quero perceber quando um violador ouviu um ‘não’ porque é que não cumpre”.
A avalanche de críticas e de críticos não se fez esperar, embarcaram no raciocínio fácil, espontaneamente sublevado, a tender para o inquisidor, vindo dos 4 cantos da sociedade. Mesmo dos seus colegas de profissão, Catarina Furtado, Andreia Rodrigues e por aí fora… que não se coibiram de bradar a sua indignação, levados pela onda de solidariedade em desancarem inopinadamente, só porque cavalgar a onda, ir no bote, à molhada, é mais fácil do que apurar os factos. Se isto não é extremismo, digam-me lá o que é, que eu já não entendo esta sociedade.
Sim, o tema é melindroso, mas que diabo, quando se tem um cérebro desenvolvido, de preferência treinado para raciocinar, convém o usar em primeira análise, em desfavor de um coração emocional e naturalmente tendencioso!
Como sempre, aparecem aquelas criaturas a que apelido de “alpinistas sociais” que cavalgam tudo o que podem, que se colocam em “bicos de pés” para serem notados, vociferam alto e bom som, espumam pelos cantos da boca, esbracejam e batem o pé, entre murros em cima da mesa e as pedras que arrancam da calçada para atirarem contra quem a ponderação dos factos é fundamental, lá do alto das suas paupérrimas, mesquinhas e anedóticas existências.
Um tal de Henrique Raposo, um rapaz cheio “de 9 horas” cagão até ao tutano, veio meter a sua faladura, como é seu hábito, quando lhe cheira a sangue!!!
Pessoalmente, confesso, não conheço a linguagem dos cães, supostamente para a entender plenamente, só mesmo um outro cão, que pode ser o caso! Mas sei, porque tenho um cão, que obedece a determinada linguagem, através do som que apreende. “Senta”, “dá cá a pata”, “deita”, é algo que quase todos os cães conseguem perceber. Já a linguagem de um troglodita é mais incompreensível…é extremada, superficial, tendenciosa, oportunista, mas sobretudo populista. Cavalga em qualquer cela onde vislumbre audiência, especialmente aquela que lhe dê notoriedade imediata, mesmo que seja sem moderação, como tem demonstrado o Henrique Raposo lá do alto do seu garboso ar de intelectual moderno, mas que cheira a show-off que tresanda!!
Se remontarmos ao que se passou no programa da TVI com a Cristina Ferreira e que tanto brado tem dado nas redes sociais, para além de petições, queixas na ERC e mais o que se sabe, podemos até, numa primeira análise “mais ao de leve”, sermos impelidos a uma reação contundente e sem contemplações. Afinal, o caso é extremamente sensível e mexe com practicamente a maioria de todos nós. Mas e o benefício da dúvida? E se porventura foram apenas palavras empregues num contexto genérico e a sociedade de tão extremada que está, pega numa afirmação avulso e retira a mesma desse mesmo contexto? Com isto, nem sequer se coloca em causa se pessoalmente partilho sequer da mera alusão ou possibilidade de tal acontecimento ser banalizado, sem enfrentar a brutal realidade que o tema possa suscitar. Houve violação, não foi consentida e é, incontornavelmente, um crime.
Poderia uma jovem parar quatro violadores e é nisso que podemos refletir, sobre como quatro rapazes decidem violar uma jovem, filmar o crime e partilhá-lo. É esse o verdadeiro centro da conversa sem arranjar desculpas como a adrenalina do momento. E, claro, o bem-estar da vítima, e não o escrutínio sobre a forma como reagiu ou se comportou. Sem dúvida que produzir comentários feitos em televisão nacional, perante milhares de espectadores, ajudam a moldar percepções, atitudes, crenças e provoca reações fortíssimas. Esse foi o grande erro da CF ao se submeter ao escrutínio público numa área tão sensível e para a qual, academicamente falando, não tem preparação, embora tenha a experiência das lides televisivas na última década, pelo menos.. Existem técnicos e a própria psicologia conhecedora das situações em análise, que ultrapassam o entendimento de uma comunicadora sobre temas genéricos. Para abordar o domínio e o entendimento para a questão, de uma forma racional e interpretativa, é sempre preferível alguém que domine o conhecimento destas questões.
Que as analise friamente, profissional e sem preconceitos exacerbados que toldam o raciocínio lógico. Nem eu e creio que ninguém de “boa fé” acredita que a CF tenha aludido ou sequer sugerido que a vítima ou tenha dado consentimento ou sequer sugerido que o NÃO não tenha sido suficientemente convincente, para que 4 “bandalhos” sem noção, sem maturidade e na ansiedade do acto, tenham parado a agressão. O que quero acreditar e que para mim será plausível, é que a CF poderá ter querido se referir que a vítima poderia ter sido aliciada e não teria reflectido, supostamente, para algo que viria a ser imparável e dificilmente irreversível!





