O totalitarismo fascista e nazi não ocorre porque um Hitler ou Mussolini, Trumps, Bolsonaro, ou um qualquer Javier Milei decide tomar o poder. Ou porque na Europa o movimento está em andamento com Marine Le Pen em França, Viktor Orbán na Hungria, cuja queda da cadeira do poder foi relativamente inesperada, Mateo Salvini em Itália, Santiago Abascal em Espanha e André Ventura em Portugal.
Aspectos da ideologia de extrema-direita podem ser identificados na agenda de alguns partidos de direita contemporâneos, em particular a ideia de que pessoas superiores devem dominar a sociedade enquanto elementos indesejáveis devem ser purgados, o que em casos extremos resultou em genocídios.
A extrema-direita, seja ela contra-revolucionária ou revolucionária, sempre se opôs à democracia, demonstrando desde o início uma postura anti-democrática e anti-parlamentar. As críticas mais severas à democracia parlamentar podem ser encontradas nos livros de escritores da extrema-direita francesa pré-Primeira Guerra, como Charles Maurras ou Maurice Barrés; da geração “perdida” dos anos 30 e 40 – Céline, Drieu La Rochelle, Brasillach e Rebatet – bem como dos escritores alemães da Revolução Conservadora: Ernst Jünger, Oswald Spengler, Arthur Moeller van den Bruck, Carl Schmitt, Ernst Von Salomon. O Charles Maurras, por exemplo, acusava a democracia de tornar a Nação “impotente” e de a dividir em grupos antagônicos. Quanto ao liberalismo, era acusado de desenraizar as populações e, subsequentemente, de destruir as identidades regionais e nacionais.
Ódio à democracia, ao parlamentarismo, ao “intelectualismo” e ao liberalismo, mas também o facciosismo e a utilização da violência como arma política. Eis em resumo a verdadeira extrema-direita.
Não encontramos na AfD, no RN, no Vox, no Chega ou no Fratelli d’Italia nenhuma das características anteriormente mencionadas.
Há partidos de extrema-direita (revolucionária) como a Casa Pound na Itália, o Die Heimat (antigo NPD) na Alemanha, o BNP no Reino Unido ou a Aurora Dourada na Grécia. Mas mesmo estes partidos abandonaram quase por completo a violência política.
Não existe um “perigo de extrema-direita” hoje em dia, a não ser nas mentes de certos jornalistas e políticos com muita imaginação. O poder da verdadeira extrema-direita é presentemente muito reduzido.
Quando uma nação está psicológica e espiritualmente vazia, o totalitarismo vem preencher o vazio; e as pessoas vendem a sua liberdade como uma necessidade para se livrarem da ansiedade que é grande demais para suportar por mais tempo.





